terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Futurologia

Eu tenho o estendal da roupa no patamar das escadas. Sorte a minha, que vivo no último andar do prédio. Sorte a minha, que seco a roupa sem sujeitá-la à poluição da rua nem debilitar as cores com a luz do sol. Estendo lá todo o tipo de roupa, desde os panos de cozinha aos lençóis da minha cama de casal. Estranhamente, quando alguém vai lá a casa, comenta apenas que já viu as minhas cuecas.
Ainda outra história que envolve o meu estendal da roupa, passou-se na última primavera e é igualmente intrigante. Saí à noite com o meu amigo preto e bebemos muito. Ele nessa noite estava especial e contagiantemente deprimente, com uma conversa redundante sobre sermos duas pessoas especiais mas sem a capacidade de mantermos relações amorosas a longo prazo, porque o facto de sermos tão especiais faz com que a oferta seja demasiada e demasiado tentadora, tornando-nos más pessoas, o que, aos olhos dos demais, nos torna especiais e incrivelmente apetecíveis. Conversa esta, que fez com que eu bebesse ainda mais que o normal para tentar diluir tanta parvoíce. Isto fez com que eu decidisse ligar a uma amiga por volta das 6 da manhã enquanto subia as escadas de gatas até ao 3º andar, não conseguisse abrir a porta de casa, tenha decidido dormir no patamar das escadas debaixo do estendal e tenha chorado 3 segundos antes de adormecer, porque a minha amiga disse algures que o meu ‘amigo toyboy’ da altura tinha dançado nessa noite com uma mulher vestida de palhaço. Estranhamente, no dia seguinte toda a gente comentou que eu estava apaixonada porque tinha chorado com ciúmes da palhaça.
Ontem trabalhei 17 horas. Turno da noite sem pregar olho, turno da manhã pesado a toque de cafeína, reunião depois de almoço com a duração de uma hora, tendo eu resistido estoicamente de olhos abertos mais de 90% do tempo. Estranhamente, hoje toda a gente comentou como foi engraçado eu ter acordado com o som dos meus próprios roncos nos últimos 5 minutos da reunião. Difamação! Eu estava acordada e claramente tive um ligeiro ataque de tosse que me fez tombar a cabeça para trás e fechar os olhos um bocadinho.
Agora, já terminado o trabalho do dia, estava em conversa animada com um jovem médico do serviço, que contava que hoje ia ter consulta no dentista. Em tom de brincadeira disse que não gostava que lhe ‘metessem aquela coisa na boquinha’. Entrei na brincadeira e disse no mesmo tom ‘se quiseres, vou lá ter contigo e eu meto-te a coisa na boquinha com jeitinho’ exactamente no momento em que uma auxiliar abriu a porta, desistiu de entrar e voltou para trás sem dizer nada. Amanhã vou meter baixa e não venho trabalhar.

13 comentários:

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    1. Não ri, Cat! Pelo que ouvi hoje 'parece que andam enrolados...'. :\

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  2. Tens potencial, miúda. E ainda não vi as tuas cuecas.

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    1. Ahahah É só subir ao 3º andar que está tudo exposto.

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  3. Respostas
    1. Sim, sou uma rapariga asseada. :p

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    2. Ainda bem. Muito rabo sujo à solta.

      R.

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  4. Como boa stalker que eu sou li-te os post's todos e fiquei chateada por ainda serem poucos e não ter mais para me rir, grrrr. Ai, nem sei como ainda não tinha visto esta pérola de blog ahaha :p adorei e serei uma stalker assumida :D *

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  5. A assistente teria pensado que te referias ao estendal? Ou as cuequinhas, para não poder gritar?

    :-)

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    1. Ai socorro! Essas hipóteses são macabras!!! :)

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