quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Olimpíadas de Inverno e Recordes Mundiais

Quase todos os dias, partilho o elevador de manhã com um vizinho do andar de cima. Eu acho que ele fica à espera que eu saia de casa e faz isto de propósito. Ele tem um rabo bem estruturado, anda sempre de fato e pisca-me o olho enquanto diz bom dia, mas não é assim muito giro. Só que no outro dia vinha de braguilha aberta e tive vontade de meter a mão lá dentro. Isto da vida celibatária dá conta da cabeça a uma pessoa, e se antes ficava 4 horas a pensar em pilas, agora fico 4 ou cinco dias a sofrer. Até já pensei em agarrar numa chávena, subir um andar e bater numa das portas ao acaso com a desculpa que o açúcar acabou e fazer uma conversa que vi há dias num documentário sobre um canalizador que foi fazer uma reparação a casa de uma loira mamalhuda e que depois foi violado à má fila. Também há um preto que vive num dos andares acima do meu. A largura dos ombros dele provoca-me espasmos. Uma dia subimos juntos no elevador, eu saí no meu andar, ele continuou. Resumindo, eu posso ir à procura do sexy mother fucker que partilha o elevador comigo de manhã e propor-lhe sexo desesperado com uma caneca na mão para disfarçar, correndo o risco de ser um preto de ombros largos a abrir a porta. Posto isto, posso avançar para a parte importante deste texto, que é: até quando me engano, sou a maior e algo mágico acontece. Há uns meses atrás, no trabalho, tinha de escrever um relatório sobre um doente hipertenso oriundo de uma ex-colónia que tinha urgência em entregá-lo na embaixada, pelo que escrevi a coisa um bocado à pressa. Reparem no cuidado que tive agora em escrever 'oriundo de uma ex-colónia' em vez de escrever preto outra vez. Bem, voltando ao assunto, escrevi o tal relatório à pressa, mandei imprimir e qual não foi o meu espanto, quando a administrativa tira as folhas da impressora e pergunta-me histéria: "Oh porca, viste a pila ao preto?". Eu, serena como sempre, ia começar a dizer que já vi a pila de um preto, mas não foi a deste, e que isso de experimentar e depois só querer pretos não é bem assim, porque também já vi pilas de outras cores igualmente generosas, quando a histérica , lavada em lágrimas e com falta de ar, agarra num marcador rosa-choque e sublinha, na conclusão do meu relatório, o meu engano. Foi nesse dia que esteve por um fio, um preto sair daquele hospital com um relatório a dizer "hipertesão" na conclusão. Esse mesmo papel esteve pendurado até hoje por cima da impressora, qual troféu da melhor gaffe do serviço. Desde então, tenho tido cuidados redobrados cada vez que tenho de escrever a palavra hipertensão. Faço o meu trabalho, descrevo anomalias morfológicas, descrevo anomalias funcionais, descrevo coisa com nomes esquisitos, mas quando tenho de escrever a palavra hipertensão, tudo tem de andar mais devagar para garantir que não me vou enganar. Hoje, mandei imprimir umas coisas, e de repente vejo a histérica a ficar vermelha e a arfar como da outra vez. Disse-lhe logo que escusava de estar com coisas, porque eu tinha escrito tudo com atenção. Sem me responder, só a vejo arrancar sem misericórdia o épico relatório do qual acabei de vos falar, para o substituir por outro com uma frase sublinhada a rosa-choque. Com andar pesado, avancei. Por mais que me custasse, tinha de saber quem me tinha destronado. Olhei para a frase sublinhada, onde leio à primeira vista 'parâmetros funcionais dentro do normal', mas depois reparo no erro. Na verdade dizia 'funiconais'... funi... conais... com 'o'... de cona, claro está. Devagar, olho para o espaço onde consta o nome do operador. Snail da Silva. O orgulho. A sensação de me superar a mim própria é impagável.

36 comentários:

  1. Olha que não sei... existe por aí uma frase, eventualmente inventada por um preto, que diz "Once you go black, you never go back". Também já sofreu uma adaptação feliz: "Once you go black, you'll never leave the wheelchair".

    A mim mandaram-me uma vez um mail a incentivarem-me a abrir uma conta no messenger, mas foi uma pessoa que se esqueceu do T: "Abre uma cona no messenger". Foi bonito.

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    1. Foram feitos um para o outro!
      Vou mandar-lhe um mail, embora tema que o mail de resposta venha cheio de gralhas.

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    2. às vezes quero escrever "pedido" e sai "peido"... mas "abre uma cona" supera tudo!!

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    3. Também tens talento. És uma de nós.

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  2. Funiconais e hipertesão são mesmo muito bons. De certeza que o Patife do Fode Fode Patife ia gostar de falar contigo. São o tipo de palavras que ele utiliza bastante.

    E quando se fala em tamanho de pilas de pretos e brancos, é sempre bom recordar o grande John Holmes! O nosso (para os branquelas) Cristiano Ronaldo do tamanho das pilas.

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    1. Não fosse o senhor já ter morrido e a minha resposta era a mesma que dei ao comentário anterior.

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  3. Isso anda aí qualquer coisita que tens de resolver mas essas gralhas estão muito boas :P

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    1. Qualquer dia já não sei como se faz.

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    2. És tu e eu, o que vale a Internet tem muita informação para uma pessoa não se esquecer da teoria.

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    3. Sim, sim! É como disse no texto, vou vendo uns documentários...

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  4. Ai o Freud...Há dias também mandei umas conas de 2013 como assunto de um email

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    1. Ai pá, ganhaste-me! Maravilhoso!!!

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    2. Foi sem intenção. O que valeu é que eram boas, o resultado foi positivo. Na sede toda a gente ficou feliz nesse dia.

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  5. Tenho tido esse cuidado com a palavra pilha....as vezes chego a substitui-la por baterias AA pois ainda trabalho num open space...

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  6. É, Freud explica esses lapsos de linguagem.
    És uma porca.

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  7. Gralhas deste calibre chamam-se actos falhados (adoro!)

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    1. Isso é quando a alma fala mais alto, não é?
      (dito assim é mais bonito)

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  8. Confesso que acho mais piada a hipertesão do que a funiconais. Já eu, que trabalho na área financeira, já mandei emails a dizer "a cona 1234 (exemplo) tem que ser limpa", em vez de conta... o que torna tudo muito mais alegre, não achas? Inclusivamente houve uma altura em que pensei deixar de escrever emails em português, já por causa disso!

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    1. Por acaso, também achei mais graça à hipertesão, mas parece que a histérica é que é a autoridade suprema na avaliação das gralhas que saem da impressoras.

      E estou a ver muitos homens a enganarem-se na cona.... Não sei se estão interessados em debater isto, ou não.

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  9. Nos projetos científicos há algo chamado chave-pública do investigador. É um código que serve para adicionar a pessoa a uma equipa. Este teu texto fez-me lembrar que várias vezes escrevi mails do tipo:
    Envie-me, por favor, a sua chave-púbica para o adicionar à equipa.

    Não os cheguei a enviar, pois leio sempre tudo com cuidado antes de carregar no send...mas foi quase!! eheh

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    1. És uma mulher ponderada e cuidadosa, mas já pensaste na imensidão de novos amigos que estás a perder dessa maneira?

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    2. ehehhe, pois é!
      Quando penso em chave-púbica imagino sempre alguém com um cinto de castidade e uma chavezinha para abrir aquilo, uma coisa tipo medieval LOL!

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  10. Precisas de uma intervenção.

    http://i.dailymail.co.uk/i/pix/2012/12/21/article-2251578-169A35DA000005DC-999_634x475.jpg

    R.

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    1. Ooooooooohhhh :) Só tu é que me tratas bem.

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  11. Já disse algures que uma vez ia enviando um e-mail onde dizia que a minha empresa tinha como missão divulgar as "conas" turísticas...
    Em relação ao resto: antes os vizinhos, que o Nuno Crato! Podes sempre fingir um ataque se sonambulismo. E vais batendo de porta em porta, até dares com o preto!

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    1. Sabes lá se valem mais que o Crato? Não os viste! E tu também a dar nas conas??? Mas que é isto, pá???

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    2. "conas turísticas" ahahah opá, a sério parem...

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  12. Respostas
    1. Anda pois! Já viste bem a quantidade de gente ordinária que vem escrever 'cona' no blog dos outros. Ordinários!!!

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  13. "hipertesão" AHAHAHAHAH
    estou-me a rir há 20 minutos, não consigo parar

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    1. Eu gostei foi do sentimento de partilha que se criou aqui. Tipo reunião de alcoólicos anónimos.

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  14. Esta sugestão das conas turísticas tem efeitos na hipertesão. Na minha terra os hospitais estão cheios dessas sintomatologia. Ou serão os hotéis? O Ti Al deixa-me contuso,, perdão confuso :-)

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