Tenho mudanças para fazer. Pessoas que já mudaram de casa várias vezes, sabem a trabalheira que isto dá. Investigar o mercado, visitar várias, escolher uma, o entusiasmo da novidade, as saudades esporádicas do passado... É quase como partir para uma pila nova, mas dá mais trabalho. Trabalho esse, que no caso de mudar de casa, não consigo fazer sozinha. E o paralelismo com as pilas podia ficar por aqui, não fosse algumas das ex-pilas da minha vida se terem oferecido para me ajudar a empacotar coisas. Isto inquieta-me. Serão estas ofertas, iniciativas disfarçadas de altruísmo, uma tentativa dissimulada de me ir ao pacote? Terão eles percebido 'montar-me na cama' quando disse 'desmontar a cama'? Estarão eles preocupados com a hipótese de perder definitivamente as coordenadas dos meus aposentos? Saberão eles que as coisas demasiado brancas agora ferem-me a vista mas já não me eclipsam a púbis? Será que eles vão perceber que estas questões não são dúvidas nenhumas, mas que na realidade o que me inquieta é que ainda não sei se prefiro aproveitar-me de cada um deles em dias separados ou juntá-los a todos na mesma tarde para minha diversão?
terça-feira, 18 de junho de 2013
sexta-feira, 14 de junho de 2013
A pedido do público e a título de excepção, sai uma pequena história sobre pilas
As mulheres são falsas. Ou pelo menos são mentirosas. As solteiras, então?... Pffffuuuu! Adoro ouvi-las dizer, convictas e firmes, que são mulheres modernas e independentes, que não precisam dos homens para nada, que isto é só sexo e mais nada, que não admitem ser controladas nem serem obrigadas a dar satisfações a ninguém. Adoro mesmo. E adoro mais ainda quando finalmente se encantam pelo dono de uma pila qualquer e de repente é vê-las a ter crises de ansiedade porque ele ainda não perguntou se ela acordou bem disposta, a terem um interesse súbito pela culinária e a renovarem de uma assentada quatro gavetas de roupa interior. É tão simples como isto: as mulheres não o assumem, mas adoram prestar vassalagem. E eu não posso, nem consigo, fugir à minha condição de mulher. Mas isto agora com a crise e tal, não estamos em tempo de andar para aí a fazer jantares pipi cada vez que se dá uma queca. E, graças a Deus, tenho por hábito ir renovando a minha roupa interior em toda a sagrada época de saldos. Ainda assim, a vassalagem está-me no sangue e ao resto da questão não consigo fugir. Posso passar mais incólume que as outras, mas venho aqui assumir: tornei-me numa serviçal do sexo. Mas não vou aqui descrever a arte da anaconda de chocolate nem descrever o estado de dilaceração da minha coisinha. Até porque não sou contorcionista. E mesmo que fosse, não ia ter coragem de encará-la de frente. Acho que ela odeia-me. Só sei que dói. E às vezes dói tanto, que no fim de semana passado decidi fugir para casa de um amigo de infância. O tempo estava uma real bosta, mas eu precisava mesmo era de descansar. Pelo caminho já sentia saudades do preto, mas vimos um lagarto esmagado na auto-estrada, o que me fez ter uma visão do que não consigo ver e saber que estava a fazer o mais correcto. Mas não vou ficar aqui a descrever metáforas com animais esventrados e o estado dos meus órgãos genitais. Vou sim, falar sobre a minha capacidade de trazer o bem à vida das pessoas. Dizia eu que fui passar o fim de semana com um amigo de infância. Daqueles que são quase irmãos, com quem só falamos de merda, com quem fazemos concursos de peidos e com quem um arroto a meio da cerveja é motivo para uma salva de palmas (às mulheres que lêem isto, se não têm amigos assim, a vossa vida é uma merda). Pois que fui passar 3 dias de pura gastronomia e enologia. Com passeios a meio da tarde para dar ar ao fígado. Numa dessas tardes vesti uma mini-saia. Fui à varanda e estava frio. Inteligente como só eu consigo ser, em vez de trocar a saia por umas calças, decidi enfiar umas collants na mala. A meio da tarde o frio nas pernas estava insuportável. Íamos de carro não sei para onde, havia pinheiros por todo o lado. O meu amigo ia falando da relação de longa data que terminou há poucos meses e de como as colegas da ex-namorada agora o tratam abaixo de cão. 'As mulheres são falsas, más e mentirosas', dizia-lhe eu enquanto vestia as collants de forma acrobática com o carro em andamento numa imensa rotunda, com o cuidado de virar o rabo para a janela e não para a cara do meu amigo. 'Por isso é que...' respondia ele ao meu comentário, quando parou subitamente de falar e ficou com cara de quem tinha visto a mãe em cuecas na rua. 'O que foi? Estás a ver o meu rabo pelo espelho do carro, seu badalhoco?', perguntei eu armada em pudica. 'O carro que estava ali parado para entrar na rotunda... são colegas da minha ex...', disse ele cada vez mais pálido. 'Viram-me o rabo, as badalhocas?', disse eu com ar de riso. 'Diz-me que tens roupa interior decente... ou que tens roupa interior, pelo menos... se é que isso faz alguma diferença...', disse ele a desfalecer. 'Tenho, tenho...', disse eu baixinho enquanto pensava no meu diminuto fio dental, nas escoriações que vão até meio das minhas coxas, mais o estado de lagarto esmagado do resto. Tivemos que traçar um plano de emergência. De certeza que, mais cedo ou mais tarde, ele ia ser confrontado com perguntas. Dizer que estava com uma amiga de infância de rabo ao léu dentro do carro em andamento e com um pinhal localizado a menos de 200m da rotunda do crime, não lhe ia servir de nada. Ninguém ia acreditar nessa história. Dizer que tinha feito um engate na noite anterior com uma espanhola que nunca mais irá voltar a portugal pareceu-nos uma desculpa mais credível. Perguntei-lhe agora sobre as consequências do sucedido. Diz ele que nenhuma das colegas da ex-namorada lhe perguntou sobre o misterioso rabo colado ao vidro do carro dele, mas todas têm perguntado se ele não quer ir beber um café uma noite destas. As mulheres sabem reconhecer os estragos de uma grande pila, digo eu. As mulheres são falsas, más e mentirosas, digo eu. O meu amigo ganhou a fama de ter uma anaconda dentro das calças e a culpa é minha, digo eu.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Snail, a fazer amigas desde 1978 #2
Pausa para café a meio da manhã no trabalho. Colega quarentona agarra numa qualquer revista e comenta em voz alta as gordas de todos artigos. Faz isso à minha frente todos os dias. Nunca tive coragem de lhe dizer que isso me aborrece. Sou boa pessoa. Finjo sempre entusiasmo à medida que ela vai falando e vou comentando em conformidade. Colega fica em estado de choque com esta:
- Já viste isto do Michael Douglas?? Diz que a causa do cancro que teve na garganta foi a prática de sexo oral!!!
- Estás com medo, é? Eu, por causa das coisas, já fui comprar Tantum Verde.
- És tão porquinha, benza-te Deus... Não é isso! Eu é que não sabia que ele era gay e que anda para aí a chupar pilas!
- Olha cá uma coisa... Se aos quarenta e tal anos ainda não sabes que os homens também fazem isso às mulheres, tens uma vida muito triste, sabias...?
terça-feira, 4 de junho de 2013
Ensaio sobre a analepse
Agora:
Ai. Dói. Muito.
16 horas antes:
Psiu. Acorda. Tenho que ir trabalh.... pum-ba... pum-ba... pum-ba.... Opá tá sossegado! Tenho que ir embora... pumba....pumba.... pumba.... pumba... Opá! Pára! Pumba. Pumba. Pumba. Pumba. Oh...Se chagar atrasada 15 minutos ninguém nota, né? PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA!
4 horas antes:
PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA!PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA!PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA!PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA!
2 horas antes:
PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA!PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA!PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA!PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA!
1 horas antes:
PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA!PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA!PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA!PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA!
1 hora antes:
PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA!PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA!PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA!PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA!
1/2 hora antes:
PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA!PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA!PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA!PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA! PUMBA!
3 horas antes:
Ai! Pára! Não está certo! Isto não está certo! Nós não podemos fazer isto! Agora era assim, agarravas em mim, passeio e coiso, copos e coiso e pumba?! Assim? Com esta gente toda a ver?! Vamos para minha casa.
4 horas antes:
Vá, pronto... Desisto. Anda lá beber um café, então. Mas tem que ser coisa rápida.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
Como tornar o meu dia negro
Tenho uma amiga que adora felinos. Daquelas maluquinhas que vivem com seis gatos e decoram tudo com miaus. A doida até tem uma agenda que vai decorando com fotos de felinos, dos grandes aos pequenos. Não sei onde ela arranja tempo para estas mariquices. Nem sei porque ela acha que eu quero saber das mariquices dela. Nem sei porque hoje achou que eu queria ver as novas fotos que decoram a sua agenda pirosa. Nem sei porque raio ela foi logo mostrar-me a foto de uma pantera negra a comer uma gazela. Se não era uma gazela não sei, mas era um bichinho escanzelado, magrinho e de cor clara. Isto despoletou uma reacção de pavor na minha pessoa, desatei aos gritos e a transpirar e pedi-lhe para guardar aquilo. Ela ficou preocupada com a minha reacção e sugeriu que fossemos tomar um café, não fosse eu estar a precisar de desabafar sobre alguma coisa. Lá fui com ela, mas já decidida em não falar sobre nada. Até porque não tinha nada para falar. Nem percebo porque ela foi achar que eu não estava bem. Cheguei ao bar e mudei de assunto para os salgados. Disse que me apetecia uma empada. Uma empada de galinha, disse eu. Disse-lhe a ela e disse ao senhor do bar. Diz-me ele sorridente: "Hoje vai provar é uma destas". Esticou-me uma empada linda, que se revelou a melhor empada da minha vida. Perguntei eu de boca cheia: "O que é esta maravilha que está na minha boca?". Diz-me o senhor com ar paternal: "Empada de porco preto... nunca mais vai querer das outras, não é?". Desatei aos gritos e a transpirar. Aquela merda devia ter pimenta a mais. A minha sorte é que o dia de trabalho naquele sítio já tinha terminado e tinha a tarde ocupada no meu segundo trabalho, para onde me desloco a pé, a ouvir a minha música e a olhar para as pessoas sem pensar em nada. Pelo caminho vi três pretos com uns tubos gigantes a cavar buracos na estrada. Fiquei feliz por andar sempre com desodorizante na mala, porque desatei a transpirar como um cavalo. O sol hoje até estava quente. Tão quente que acho que me queimou de repente. Só não gritei porque tive medo que os três pretos viessem perguntar se eu precisava de ajuda. O resto da tarde serviu para recuperar a calma, vir para casa a pé por causa da greve do metro também serviu, chegar a casa e não ter vontade de cozinhar também serviu, deitar cereais numa tigela e cobri-los com leite também... Depois estava a achar adorável o tom castanho do chocapic a largar chocolate no branquinho do leite enquanto a rádio estava a tocar a "Untitled" do D'Angelo, mas não sei porquê aquilo fez-me transpirar e até acho que gritei um bocadinho. Deitei aquilo tudo fora e fiz umas torradas. A meio das torradas, que por acaso se queimaram, o meu telemóvel recebeu uma mensagem. O preto que já vos falei, acho eu, perguntava se queria beber café hoje. Disse-lhe que hoje tive um dia estranho e até já estou de pijama e meia molinha. Ele respondeu agora mesmo que se sente insultado com isso, porque para estar comigo nunca se sentirá mole. O quê? Porquê?! Logo hoje que eu nem pensei na pila dele!...
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Snail, a fazer amigas desde 1978
Colega chega demasiado activa e faladora para aquilo que se pode considerar aceitável numa segunda feira antes das 10 da manhã. Acha que é boa ideia estabelecer contacto directo com o vulto que se encontra em estado semi-vegetativo em frente ao computador e de luz apagada.
- Credo, rapariga! Mas tu nunca vens com boa cara à segunda feira?
- Deixa-me.
- Olha-me só para essas olheiras! Isso foi o quê? Sexo a mais ou sexo a menos?
- Ressaca.
- Mas tu não percebes que já não tens idade para essa vida? Devias pôr qualquer coisa na cara para disfarçar isso. (tira um frasquinho de dentro da mala e estica-o na direcção da múmia, sorridente)
- Base?
- Sim. Toma. Eu também não me sinto nos melhores dias, hoje... Não estou com boa cara, pois não?
- Não.
- Também devia pôr qualquer coisinha....
- Devias.
- Base?
- Botox.
domingo, 26 de maio de 2013
Ter respeito pelo outro é isto:
Deixar propositadamente o telemóvel no quarto, com o som desligado e com a porta fechada e ir dormir a sesta na sala, com a porta também fechada, para poder dizer ao fim da tarde que estava a dormir e não ouvi o telemóvel tocar, como forma de fugir a um passeio de domingo à tarde com o preto que me quer estilhaçar a rata, combinação essa sugerida por mim durante a noite de ontem via sms enquanto desfrutava de uma monumental bebedeira, da qual só tive conhecimento esta manhã através de um telefonema do próprio a dizer-me frases bonitas como "Então vai ser mesmo hoje que vais levar comigo, né?" ou "Estou a despachar-me e só me falta comer e estou a ligar para te dar o toque nesse sentido.", às quais apenas conseguia responder "Sim" e "Ok", apesar de na altura ainda não fazer ideia do que ele falava, enquanto tentava perceber se precisava de vomitar ou não, tendo mais tarde vomitado em jacto depois de ler o teor das mensagens trocadas. Inventar uma desculpa? Não gosto de mentir a ninguém.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Exercício
Normalmente levo marmita com o almoço para o trabalho. Ora, podia agora eu começar a expor argumentos sobre a crise, sobre os meus rígidos e saudáveis hábitos alimentares ou sobre os meus extraordinários dotes culinários, mas não. Venho só dizer que hoje não levei e que por causa disso fui comprar almoço no num dos cafés lá do hospital. Optei por uma alheira. E lá fui eu a cantarolar de saco na mão até à copa onde costumo almoçar com as minhas colegas. Ao ver-me colocar a comida no prato, uma delas comentou: "Alheira? Era a coisa mais parecida com uma pila que tinham para te vender?". Isto, meus caros, é sintomático de vários factores. Um deles, indubitável, é que eu sou uma pessoa com créditos confirmados em qualquer lado. O outro, mais questionável, uma vez que pode ter sido apenas um golpe de sorte, é a capacidade desta minha colega de analisar comportamentos e vontades.
Vamos então analisar o que acabaram de ler. Eu disse que normalmente levo marmita e que hoje não levei. Tudo certo. Eu comprei uma alheira e esta foi comparada com uma pila. Mais ou menos certo. Eu nunca vi uma pila humana em forma de U. Eu, de facto, falo muito em pilas e ando aqui com umas ânsias a esse respeito desde ontem. Dois é maior que um, mas quando alguém refere 'vários factores', pode-se partir do princípio que vá apresentar um número considerável de argumentos e não apenas dois. Outra coisa, esta para os que lêem as coisas mesmo com atenção, seria notar a incoerência de alguém que diz ter 'rígidos e saudáveis hábitos alimentares' e duas linhas depois dizer que foi comprar uma alheira para o almoço. Os que despertaram a mente para este exercício acabaram de confirmar o número de linhas entre estas duas informações no parágrafo anterior.
Estão a ver a ideia? É que hoje descobri (graças a uma mente iluminada) que não posso contar com vocês para nada. Isto que acabei de vos mostrar, é ler as coisas com atenção e fazer uma crítica construtiva! Isto vai muito para além do que vocês têm feito! Mas pronto, bonito, bonito é vir para aqui chamar-me taradona, maluca, obcecada e mandar-me (literalmente) ser fodida por um preto! Agora vão todos ao post de ontem ler aquilo com atenção e depois digam-me qualquer coisa.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
A cabeça das mulheres, uma nova visão dos factos
As mulheres sãos seres demasiado complexos. Ou melhor, os homens dizem que as mulher são seres demasiado complexos. Ora isto, na minha opinião, foi um mito urbano lançado nas ruas pelas próprias. A realidade é que as mulheres têm um défice de atenção e não conseguem ficar focadas muito tempo no mesmo pensamento. Daí terem muito espaço livre para pensarem em merda. A inveja, outra característica apurada nas mulheres, fez o resto. O que elas gostavam mesmo era de viver felizes, com mais de 90% dos pensamentos diários virados para o sexo. Os homens não conseguem pensar se as mulheres são complexas ou não, eles só pensam em sexo. E elas invejam-nos. Claramente, acabei de explicar que eu não sou obcecada por pilas, eu faço é um esforço desumano com exercícios de concentração diários para contrariar as minhas limitações impostas pela genética, e devo dizer que muitas das vezes a coisa já me vai saindo com alguma facilidade. Pois atentem nisto: hoje dei por mim a pensar nos três míticos objectivos da vida de qualquer ser humano: ler um livro, plantar uma árvore e ter um filho. Os dois primeiros já fiz, ter filhos não me parece, "fazer" filhos já é uma coisa mais plausível, mas isso também já estou farta de fazer, tenho é que idealizar a foda épica da minha vida, uma coisa assim em grande... e plim: pinar com um preto. É isso! Eu não posso morrer sem pinar com um preto. Estão aqui a ver a força de vontade? Como eu consigo pensar em pilas, e das grandes, em menos de 5 segundos? Tenho orgulho em mim própria. Pois que estava eu perdida nestas coisas e de sorriso pateta na cara, quando recebo uma mensagem. Preto amigo com rasto perdido há mais de 10 anos e reencontrado há uns dias por acaso. Números de telemóvel mantêm-se. Mensagens são trocadas. Última dizia: "Gostei mesmo muito de te ver. Queres combinar um copo ou assim um dia destes?"
Ou assim? O que é ou assim? Amendoins? (Não, Snail!!! Foca-te, filha! Estás a dispersar!)
Sexo, seu bandido, tu queres o meu sexo! Tu e a tua pila preta. (Reparem como voltei num ápice aos pensamentos simples e pouco confusos.)
A tua pila grande! Muito grande! Muito muito grande! Enoooooorme! (Boa miúda! Cada vez mais focada!)
Pila gigante no meu pipi pequenino! Tão bom! Rebentar com o meu pipi fofinho!... Oh diabo! Será que o meu seguro de saúde cobre reconstrução estética da vulva? E fisioterapia para voltar a andar de pernas juntas? Perfurações traumáticas do diafragma? Prolapsos uterinos? Sai daqui, telemóvel!!! Estás de conluio com o preto assassino de ratas!!! (Game over)
Subscrever:
Mensagens (Atom)