sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Palavra do senhor

Mais vale aparecer-te o período enquanto comes sushi do que enquanto comes outra coisa.

Graças a Deus.

Seja o que Deus quiser

Preta: "Se hoje não fizer noite, queres ir ao sushi?"

Homem da gaita: "Hoje a preta faz noite ou tens a casa ocupada?"

Deus Nosso Senhor que decida por mim porque eu não consigo.

Relógio biológico

Desde que a minha relação mais longa terminou, há coisa de quatro anos, oito meses e catorze dias, que nenhuma outra relação longa aconteceu. Desde então, estabelecendo aqui uma espécie de analogia, que a minha vida sexual tem-se assemelhado a uma montanha russa, com o respectivo período de época baixa de afluência do público no inverno, enquanto que a minha vida amorosa/emocional tem tido tanta emoção como aquela que acontece nos documentários dos anos oitenta sobre pradarias, onde se vê o esqueleto de uma vaca, um abutre sub-nutrido e uma bola de feno a passar ao sabor do vento. O relógio biológico, esse, não conheço. Entretanto, esta tarde, encontrei um amigo que já não via há mais de três anos. Lembro-me dele como um preto atlético, culto e inteligente. Bonito que só ele. Não era um bom companheiro de copos, mas era de conversa. Tenho saudades dele e de passarmos horas a falar das últimas aventuras íntimas de cada um. E hoje encontrei-o por acaso, ia eu a pé e ele parado dentro do carro num cruzamento, pelo que a conversa esteve limitada ao tempo que o semáforo permitiu. Ainda assim, deu para ver uma cadeira de bebé no banco de trás. Ah, já és pai e tal? Ah, sim mas só ao fim de semana... estou separado. Ah, que pena... mas estás bem? Ah, estou... e tu já és mãe? Ah, achas... Deus me livre! Semáforo muda para verde. Braço musculado sai pela janela para me dizer adeus enquanto um sorriso cheio de dentes impecavelmente brancos dizia que me ia ligar para bebermos um copo e conversarmos um dia destes. Nunca pensei neste homem para além de um amigo sempre vestido. Nem gosto de imaginar mini-pessoas inteiras a sair-me do ventre. Nem ele me vai ligar para copo nenhum. Mas vou estar as próximas quatro horas a pensar em fazer bebés.

Quando ser irreverente não é assim tão fixe

Diz que ontem a malta fartou-se de pinar. Foi...?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Privação do sono

Como já é do conhecimento público, eu trabalho num sítio estranho, repleto de gente estranha com comportamentos deveras estranhos. Dado eu ser uma pessoa mental e fisicamente sã, considero-me um erro de recrutamento naquele cenário. Descrevo, então, a minha rotina quando faço noite. Estou enclausurada num gabinete do tamanho de uma gaiola, onde, quando tenho sorte, as pessoas batem à porta antes de entrar. Essas pessoas vão aparecendo e eu confirmo se o seu nome consta da minha lista de trabalho, como se de um bordel ultra-moderno com worklist informática dos clientes se tratasse. Caso o nome conste da lista, mando a pessoa despir-se da cintura para cima, deitar-se sobre as suas costas, permanecer imóvel e então entro em acção. Não mais de dez minutos a cada um e siga para o próximo. Mas todo este processo é verdadeiramente complexo desde os primeiros minutos para alguns. Uns não sabem como se chamam, outros perguntam depois de eu perguntar o nome "O meu?" (não, o meu, que eu sofro de amnésia grave... parvos.), outros dizem coisas imperceptíveis ao ouvido humano, outros há que até nem falam e eu que adivinhe e ainda há os que têm nomes fruto de momentos divinos de inspiração de mães que certamente se drogavam forte e feio. E é uma destas situações que venho relatar hoje.

Jovem, que minutos antes esteve no gabinete a acompanhar o avô, bate à porta:

- Lindo Volver.
- Desculpe? (Tás a gozar???)
- Lindo Volver.
- Não consta da lista. (Que merda de nome.)
- Mas isto é seu.
- Meu? Oh meu senhor, eu estou a trabalhar. (Tarado!)
- Tome lá! 
- Já lhe disse que estou a trabalhar. (Taradão do caralho, se me mostras a pila, grito! Olha que eu hoje venho alterada!)
- Disseram-me que era seu...

Fechei a porta sem dizer mais nada, sentei-me na cadeira e resmunguei com a minha colega "Até às 4 da manhã temos de levar com gente maluca? Credo! Não me pagam para isto!"

A privação do sono provoca alucinações, dizem os peritos. Juro, pela minha saúde, que foi isto que aconteceu. Mas a minha colega de trabalho anda a deixar-me preocupada. Ela jura que o rapaz disse "vim devolver" e que tinha uma peça de um dos nossos aparelhos na mão que, supostamente, foi agarrada à cadeira de rodas do avô. Tal não é a gravidade da situação clínica da miúda, que até se levantou e foi supostamente atrás do jovem, trazendo depois uma peça igualzinha às nossas. Deve tê-la levado no bolso só para dizer que tinha razão e que eu ando a ouvir mal o que me dizem. Outra maluca dos cornos, é o que é.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Amanhã é dia dos namorados

Acabou agora mesmo de passar uma reportagem na televisão sobre a violência nas escolas antes do 25 de Abril de 1974.

"Dava-me vergastadas com uma vara comprida."

Vou ficar 4 horas a pensar em pilas.


(Post quase em modo telegráfico, porque daqui a pouco vou fazer turno da noite. A minha vida não é só isto.)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Ah gente fina!

Explicava a senhora doutora, com o cabelo impecavelmente arranjado e com a cor do cabo do estetoscópio a combinar com a cor das unhas e das socas do bloco operatório, a uma senhora com vários dentes a menos e com um buço de cor a combinar com a dos pelos dos sovacos, o procedimento cirúrgico a que esta última iria ser submetida na próxima semana:

- Isto é ir cortando fatias finíssimas do músculo até deixar de haver essa obstrução, como quem manda cortar fatias finíssimas de Roast Beef (com sotaque britânico irrepreensível), 'tá a ver?
- Oh minha senhora, a gente lá em casa só conhece bifanas e costeletas. Mas acho que percebi.
- Ahahahah (riso sonoro sem correspondência na expressão facial), não é bem a mesma coisa, minha querida... Não é bem a mesma coisa.

Ah! O que eu gosto de trabalhar com gente fina. 
Estúpida como a merda, mas fina.

bullying

Encherem a caixa de entrada do mail pessoal de uma mulher solteira com promoções para o dia dos namorados, enviadas por restaurantes, por agências de viagens, por hotéis, por floristas, por perfumarias, por farmácias, por vários sites de descontos, pela clínica de estética onde ela faz a depilação e até pelo Continente(!!!), devia ser considerado crime previsto pelo código penal e a vítima ter direito a baixa médica, bem como a uma  avultada indemnização, devido aos danos morais e psicológicos.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Casos arquivados

Hoje foi o dia em que podia ter sido despedida.

Porque, hoje, fizeram com que me lembrasse de situações passadas, em que me informaram de coisas como ''fiz um caril de peixe espectacular, gostava que provasses, mas já comi tudo'', ''não fui porque tive uma gastroenterite mas, se soubesse que gostavas da banda, tinha falado contigo e ficavas com o meu bilhete para o concerto'' ou ainda ''eu já tinha ouvido rumores de que ele tinha uma pila pequena, mas tu parecias tão entusiasmada...''.
Porque, hoje, com cara de mistério, uma auxiliar veio entregar-me um envelope de tamanho A4, sem remetente, onde se lia no destinatário ''Exma. Sra. Snail (entregar em mão)''.
Porque, hoje, em 3 segundos, me passou pela cabeça ''alguém me fotografou a dormir no trabalho'',  ''alguém me fotografou a coçar o cu no trabalho'', ''alguém me fotografou a fazer uma imensidão de coisas absurdas e ridículas no trabalho, menos a trabalhar'', ''vou ser despedida'', ''vou ser chantageada'', ''alguém quer matar-me'', ''a máfia romena anda atrás de mim''.
Porque, dentro do envelope, afinal estavam dois diplomas onde se lia ''Snail da Silva, portadora do documento de identificação número 12345678, concluiu o curso de formação XXXXXXXXXXX em Outubro de 2009, com aproveitamento positivo e com a validade de dois anos''.
Porque, hoje, tive vontade de mandar um envelope para uma pessoa, como carta registada com aviso de recepção, onde apenas constava um pequeno papelinho a dizer: "Ai sim? E de que me serve agora essa merda?".
Ou melhor, porque, hoje, quase fiz um rolinho com dois diplomas, quase subi 7 andares pelas escadas, quase baixei as calças da pessoa responsável por isto e quase lhe enfiei os lindos diplomas pela tripa acima.