segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Porque isto também podia ser uma coluna de citações das estrelas numa qualquer revista da especialidade

"É uma tonta, essa rapariga (Snail). Oiça, diz que para além de deixar o resto (sexo) também deixou de fumar. Agora não faz nada. É o ser mais inerte do planeta."
O pipi da Snail.


"Histórias novas para partilhar? Oh filha, vocês bem podem contar-me o que andam a fazer aí fora, mas eu agora sou como o Benfica: só me posso gabar de glórias passadas."
O pipi da Snail.


"É quase como dizia a outra senhora, sinto-me como uma criança somali ou etíope, com fome... mas mais bonita... e sem os piolhos, as moscas, a carapinha e o cheiro a catinga... Ok, sou uma Angelina Jolie. Mas sem Brad Pitt."
O pipi da Snail.


"Lá porque lhe cortam no ordenado, ela não tem o direito de me negar ração! Fim à fome! Fim à clausura! Fim ao boicote de quatro meses! Já!!!"
O pipi da Snail.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O lugar da vírgula

Há dias, apareceu-me à frente um artigo de jornal sobre o lugar da vírgula. Li com atenção, uma vez que artigos sobre vírgulas e outros aspectos pertinentes da pontuação são sempre do meu interesse e agrado. E foi também com agrado que percebi que há toda uma doutrina em redor da vírgula, havendo até locais onde as vírgulas não podem, de todo, aparecer. Talvez este tema tenha sido abordado durante os primórdios do meu percurso académico, mas... é daquelas coisas... a malta só se interessa pela escola quando ela deixa de ser obrigatória. Ou melhor, quando começamos a trabalhar e deixamos de andar na escola. Antes disso, o tempo de aulas era preenchido com actividades lúdicas, como jogos do galo ou curtes atrás do ginásio, ou tarefas extra-curriculares, como organizar jantares ou arranjar alcunhas para os colegas. Esta última tarefa, de extrema importância na organização da hierarquia e sub-grupos dentro da turma, emergia de forma exponencial quando existiam duas pessoas com o mesmo nome. E eu gostava do desafio de ter essa tarefa a meu cargo. Lembro-me das Tânias. Eram duas na minha turma, o que fazia com que, a menos que morressem ou mudassem de escola, tivéssemos um problema para resolver logo no início do ano lectivo. Ficou então estipulado oficialmente que, enquanto pertencessem as duas à mesma turma, sempre que alguém se referisse a uma das Tânias, dissesse o nome próprio da mesma seguido imediatamente do cognome 'Gorda' ou 'Muda'. Uma delas tinha problemas de peso e a outra problemas de audição, como já devem ter percebido. É certo que a obesidade é uma doença e a surdez uma limitação importante, porém distingui-las com cognomes 'loira' e 'morena' só porque tinham cores de cabelo diferentes, era sintomático de uma fraca dedicação e empenho da minha parte nesta nobre tarefa. Sei que a Tânia Gorda casou e que está ainda mais gorda e que a Tânia Muda casou com outro surdo e que tiveram um filho que ouve. Bonito, não é? A par das Tânias, e no mesmo ano lectivo, tive a tarefa dos Edsons. Já não bastava alguém chamar-se Edson, ainda por cima tinham de ser dois. Um deles chama-se Edson Horácio. Tive de dar a mão à palmatória: nunca na vida eu conseguiria arranjar uma alcunha melhor que o nome de baptismo deste jovem. Reconhecer as nossas limitações também é uma virtude, e Edson Horácio assim ficou. Estive muitos anos sem o ver, mas, curiosamente, soube há pouco tempo que se casou com uma modelo polaca e que emigrou. O outro Edson  ficou o 'Edson da Vírgula'. Se era bom em Português, não faço ideia. Nem faço ideia o que será daquele rapaz hoje. Aliás, nem nunca soube nada acerca dele. Nem me lembro de alguma vez termos tido algum tipo de conversa. Ele não gostava de mim. Só me lembro que ele tinha uma cárie do tamanho de um grão de milho num canino, cárie essa, que lhe moldava o dente em forma de vírgula. E Edson da Vírgula ficou. E agora pensam vocês: olha que giro, por causa de um artigos sobre onde devem estar as vírgulas, ela lembrou-se de um rapaz a quem deu a alcunha de Edson da Vírgula e que, curiosamente, é o único a quem perdeu o paradeiro ao fim destes anos. E agora penso eu: isto de me lembrar de pessoas que nunca gostaram de mim e de escrever mais de 10 linhas em sua homenagem só pode ser falta de sexo.

domingo, 15 de setembro de 2013

Crónica de uma mudança anunciada

Toda a gente, quando muda de casa, e principalmente as mulheres, depara-se com uma série de questões e descobertas durante o grande dia. E eu, qual mulher comum com acessos constantes do síndrome de Diva, passei o dia de ontem com alterações extremas do ritmo cardíaco, alternando entre estados de dúvida existencial e o entusiasmo da descoberta. Como organizar a minha colecção de sapatos? Olha, afinal não tinha perdido o carregador da máquina fotográfica! Onde fui eu arranjar tantas malas? Epa, já nem me lembrava que tinha isto! Os meus vestidos vão caber todos no roupeiro novo? Como é que eu consegui acumular tanta tralha? Lindo, medicamentos fora do prazo... Oh meu Deus, como é que eu nunca fiquei grávida????


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Rentreé

Sempre primei pelo dom da modéstia e vocês, meus fieis seguidores, já devem saber o quanto isto é verdade. Igualmente do conhecimento de todos vós, é o facto de tudo na minha vida acontecer com uma intensidade muito superior à vossa. E, só por isso, as vossas mensagens de preocupação e saudades pela minha ausência de três semanas levaram-me a pensar duas coisas: 1) a vossa vida é triste sem mim; 2) bando de maricas, eu estou sem pinar há 2 meses e, isso sim, é sofrimento. E é aqui que apresento a minha justificação para a prolongada ausência: sou uma mulher limitada e a mudança de casa que tem estado em curso levou-me as forças e o tempo livre.
Posto isto, já todos perceberam: três semanas depois, ela volta num registo completamente diferente, mais humilde e numa nova pele de recém-virgem na sua purificante travessia do deserto da castidade adquirida a caminho da sua nova morada. E agora que sou uma mulher como as outras, que passa o dia a fazer coisas cansativas e que chega à noite demasiado fatigada para sequer pensar em sexo, vou fazer o que as demais fazem a esta hora: vou queixar-me de qualquer coisa. O tema escolhido para hoje é, nada mais nada menos, que as companhias de distribuição de gás natural canalizado. Ora, onde é que já se viu uma coisa destas, mandam um funcionário ver se está tudo bem e pagas! Se não estiver tudo bem, pagas na mesma e não tens gás. Tens de arranjar o que não estiver bem e pagar! Depois eles voltam lá e pagas outra vez, mesmo que ainda não esteja tudo como eles querem! Entretanto pagas e pagas e pagas e só à visita 1000 é que está tudo a postos para fazerem a ligação. Foi assim que me descreveram o procedimento. Fiquei assustada. Até agora só estive em casas totalmente 'movidas' a electricidade. E, precisamente hoje, tinha marcada a visita dos senhores do gás. Treinei o meu sorriso ao espelho durante toda a semana. O plano era sorrir muito, de forma a que eles simpatizassem comigo e dissessem que estava tudo bem à primeira. O senhor para fazer a verificação da canalização chegou cedo. Sorri muito, mas apenas três minutos depois de ter entrado na minha casa nova, o senhor do gás ainda não tinha olhado para a minha cara mas já estava a dizer ''Esta mangueira não está bem, sabia?...''. Tremi e suei. ''Como não? Sei lá ver se estava bem ou não! Eu lá percebo de mangueiras! Eu não pino há 2 meses, senhor!'', pensei eu enquanto tinha vontade de chorar sem conseguir calcular quanto tempo ia levar a consertar uma coisa que nem sequer sabia que estava ali. Ele continuava sem olhar para a minha cara, mas com um sorriso disse ''Promete que arranja isto o quanto antes? Vou fazer de conta que não vi e o gás é instalado já hoje.''. Eu sorri também sem perceber. Seria tímido? Já não frequento a igreja há muitos anos, mas em Setembro não é altura de boas acções, pois não? Será isto uma recompensa divina pela minha nova vida casta e humilde? Ele assinou uns papeis, despediu-se sem olhar para a minha cara e saiu. Fui até à sala, acendi um cigarro, olhei para o meu reflexo num espelho ainda meio embalado e perguntei-lhe: "É isto que acontece às pessoas que são boas, humildes e puras? A tua cara não interessa, mas os teus desejos acontecem?''. O meu reflexo respondeu-me prontamente: ''Não filha, isto é o que acontece a pessoas com um par de mamas desses! A tua cara não interessa, mas os teus desejos acontecem.''

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Rapidinha matinal

Perguntava um teste (altamente fiável e elaborado por psicólogos especializados na área) de uma revista cor de rosa: "Que tipo de mulher mais facilmente aceita fazer sexo anal? a) as loiras, b) as obesas, c) as licenciadas." Resposta certa: c). Oh... e eu a pensar que elas me olhavam de lado e eles me piscavam o olho na rua por causa do meu fabuloso decote...

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Curta-metragem indie sobre a abstinência sexual

Terminadas duas horas de treino, uma jovem esbelta sobe as escadas interiores do ginásio em direcção aos balneários. 
Está ofegante e transpirada. 
Com a toalha, limpa as gotas de suor que escorrem do pescoço para a linha do decote enquanto se despede de dois jovens que estão em conversa à porta do balneário dos homens. 
Um deles, musculado e em tronco nu, descreve ao colega os benefícios do consumo de banana.
Bananas.
Muitas bananas.
A jovem continua a caminhar, enquanto no seu pensamento passam rapidamente cenas das última sessões solitárias de cinema porno, até chegar à memória da última sessão de sexo ao vivo da sua vida. 
Duas moscas da fruta a voar em cima uma da outra cozinha fora, parando de ora em vez para descansar em cima de uma maçã podre esquecida na fruteira.
Maçã podre.
Sexo.
Moscas.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

As lamentáveis incapacidades do ser humano

O que faz as pessoas apaixonarem-se umas pelas outras? Ora cá está uma questão pertinente, discutida por peritos e estudiosos de ocasião após a ingestão de três imperiais. Todos fazem o trabalho de casa no dia a dia: observam, analisam, criticam, armazenam informação, tecem teorias. Teorias essas que nunca são postas em prática na vida real, são sim guardadas, qual obra prima dos compêndios da psicologia analítica, para serem expostas gloriosamente numa qualquer conversa de café. O poético disto tudo, é que sempre que uma destas conversas acontece, pelo menos um dos participantes vai para casa pensativo e senta-se de olhar fixo no vazio a reformular a sua própria teoria. Ora hoje, fui eu. Café com amigo, conversa boa, elogios ao meu decote, sorrisos marotos, e plim: conversa sobre relações. Amigo critica atitude da sua última 'amiga', que lhe ligava de mês a mês apenas e só para efectivar uma questão, deixando-o sem notícias durante semanas até ao telefonema do mês seguinte. Disse-lhe eu, que ela obviamente não estava apaixonada. Ele lamentou que não era justo ela usá-lo assim, quando ele lhe dava carinho durante uma noite sem nunca ver qualquer tipo de retorno. Eu limitei-me a dizer que ela nunca lhe ligou a pedir carinho, ela sempre pedia sexo. Apenas e só sexo. Ele ficou triste. Eu chamei-o de maricas. Ele chamou-me ordinária. Curiosamente, depois disto, quem foi para casa pensar fui eu, e parte das relações mal sucedidas dos últimos 5 anos passaram a fazer sentido. Nunca tinha vindo para casa pensar nos meus erros depois de uma conversa destas. Dia épico na minha vida. Lembrei-me então da última vez que dissertei sobre o tema. Festival de verão há umas semanas, amigo de uma amiga junta-se ao grupo e a meio das cervejas o assunto da conversa estagnou nesta temática. Ele, a certa altura, falou sobre os desejos das mulheres numa relação. Vocês querem um amigo, um companheiro, um homem honesto e fiel, dizia ele. Nós gostamos disso tudo, mas se não há química sexual não estamos apaixonadas, apenas temos um amigo, dizia eu. Claro, vocês querem isto tudo e ainda um homem que seja 'big', dizia ele. Oh, isso sim, nós gostamos é de pilas grandes, dizia eu. Oh, eu não estava a falar de pilas, estava a falar de um homem musculado e grande, porque vocês querem um protector, dizia ele. Oh não, queremos uma pila grande... eu não quero que me protejam, eu quero que me fodam, dizia eu. Está bem, mas isso é secundário, vocês procuram mais o amor que o sexo, dizia ele. Oh cala-te, podes ser isso tudo, mas se a tua pila for pequena, só me serves para conversar, disse eu. Ele riu-se e abanou a cabeça assumindo a derrota. Eu ri-me descontroladamente e dei a conversa por terminada porque tinha fome. Nunca mais pensei nisso, até a minha amiga voltar a tocar na conversa que tinha presenciado nessa tarde, em tom de ralhete versão 'minha menina, agora que estamos sozinhas vamos ter uma conversinha'. Mas que mal tem o que disse ao teu amigo?, perguntava eu espantada. Não sabes quem é?, perguntava ela irada. Sei lá quem é!, dizia eu alarmada. É aquele meu amigo com quem pinei há uns anos e que nunca mais me tocou por ter a pila mais pequena que já vi à minha frente!, disse ela arrasada. Onde estavas Tu com a cabeça, oh Criador, quando privaste os humanos da capacidade da telepatia? Dava a minha fortuna para poder ter ouvido os pensamentos do jovem no seu caminho para casa.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Pensamento do dia.

Cuspir na sopa é feio. Ora analisemos esta questão a fundo. Esta atitude é feia até no sentido estético, no sentido de não ser agradável à vista por parte de quem presencia o acto e poderá inclusivamente provocar reacções adversas psicossomáticas como tonturas ou náusea. Por outro lado, ao analisarmos isto no âmbito das relações sociais e familiares, esta atitude também é feia, é desrespeitosa, envergonha familiares, amigos, colegas de trabalho e desconhecidos num raio de 10 metros. Para além disso, é nojento. Posto isto, se de repente um número considerável de pessoas, de idades, estratos sociais e beleza variáveis, começassem a cuspir na sopa, à vista de todos, na rua, em eventos sociais, no trabalho, em casa ou numa paragem de autocarro, isso faria com que cuspir na sopa fosse bonito? Não. Porque cuspir na sopa é feio. E isso era motivo para começarmos todos a cuspir na sopa? Não. Porque é feio. Feio.

Agora, que já expus o meu ponto de vista sobre a matéria, deixo-vos uma só palavra para vossa reflexão: alpercatas.

sábado, 13 de julho de 2013

Lambisgoia's open day

Não. Não vou deixar a porta de casa aberta e ficar escancarada à espera de visitantes. Vou para a rua. Já ontem fui. Copo de cerveja na mão. Cigarro na outra. Música. Goza com gordas. Goza com gays. Goza com feios. Goza com homens de calções cor de rosa. Goza com ingleses bêbados. Bate palmas à passagem das vítimas. Vê um anão. Grita e foge. Bebe mais cerveja. Mais música. Goza com toda a gente que passa. Comenta que esta música ainda é do tempo em que tinha pintelhos. Ninguém acha graça, mas ri sozinha na mesma durante cinco minutos. Vem para casa e tem sonhos eróticos com o Billie Joe. Hoje há mais e amanhã também. A quem a reconhecer ela promete tirar uma foto. É de aproveitar. Num qualquer passeio marítimo perto de si.