sexta-feira, 12 de abril de 2013

Um talento que se perdeu na produção cinematográfica internacional

- Muito boa tarde, estou a falar com a Senhora Snail da Silva?

- Olá...! Sim, é a própria. (Olá, vozinha sexy... Snailzinha gosta...)

- Olá. Posso tratá-la só por Snail? Tenho uma oferta para si.

- Depende... Não sei quem fala nem o que me vai oferecer... (Tens um vibrador para me dar, vozinha sexy? E queres saber a que horas estou em casa para me vires entregar a prenda, vozinha sexy? E depois ofereces-te para fazer uma demonstração de todas as potencialidades do equipamento, vozinha sexy? E depois vais fingir que te esqueceste das pilhas, vozinha sexy? E depois sugeres fazer a demonstração com o teu próprio equipamento, vozinha sexy? E depois atiras-me contra a parede, rasgas-me a roupa, babas-me toda, dás-me palmadas e chapadas de pila na cara, vozinha sexy? E depois eu vou dizer que não percebi muito bem e tu repetes tudo outra vez e outra vez e outra vez até eu perceber, vozinha sexy?)

- Fala da TV Cabo...

- Não, não pode. E agora não tenho tempo. Com licença. Plim. (Puta que te pariu.)

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Crise conjugal de uma mulher solteira

Este post é uma sincera homenagem a um leitor assíduo deste espaço literário, que há dias lastimou o facto de aqui só se escrever merda em textos demasiado longos. Um dos seus desejos será concedido.


Hoje acordei com vontade de pinar. Passei o dia com vontade de pinar. Cheguei a casa e os meus dedos disseram-me 'vamos tratar disso'. Respondi-lhes que me doía a cabeça. O que eu gostava mesmo era de ter um vibrador. Dormi a sesta. Fim.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Porque eu insisto que sou boa pessoa!

Devo dizer que ando aborrecida com isto. Encarava este espaço como uma relação que se vai construindo em bases cada vez mais sólidas de partilha e compreensão, de amizade e cumplicidade, de dádiva e crescimento pessoal. Aos poucos, tenho aberto a minha alma, mostrando-vos por palavras o melhor de mim. Ora a minha beleza física, ora as minhas inigualáveis qualidades beneméritas, ora a minha aura de divindade. Pois digo-vos que é com grande tristeza que constato que, como recompensa, tenho recebido comentários que variam entre o jocoso, o sarcástico e a má-língua barata e de gosto duvidoso. Ainda assim, e por ser uma alma casta que não conhece o mal, continuo a partilhar convosco estes raios de luz do meu ser. E hoje não será excepção. Hoje vou falar dos alguns dos pilares mais importantes da minha educação. 
Começo com a minha educação católica. Catequese, Bíblia, hóstias, santinhos, terços, procissões, missas e escuteiros. Papei tudo. Sim, já papei escuteiros. Certamente, as almas obscuras já preparam o comentariozinho de mau gosto a perguntar se é por isso que gosto tanto de me ajoelhar para rezar. Poupo-vos o trabalho. Com uma vida tão fortemente marcada pelas tradições religiosas, mas também vincada pela prática regular de exercício físico, mais não se podia esperar de mim a não ser eu ser uma pessoa com a capacidade de se penitenciar fluentemente e sem perder o fôlego em qualquer posição. Em contradição a tudo isto, também fui dotada com uma capacidade ímpar para o estudo das ciências. Matemática, química, biologia ou ciências médicas. As reacções, as atracções dos corpos, cargas e massas, fluídos e calor. Ah, esse fascinante mundo que nos rodeia. 
Claro que tudo isto não é conversa em vão. Como já sabem, tudo acaba por se resumir numa qualquer história que me aconteceu hoje. E hoje tive uma epifania. Hoje presenciei a aparição de uma entidade enviada por Deus Nosso Senhor. Dizia-me ela, o suposto anjo, uma senhora com meia tonelada de massa corporal e cara de morsa, que fuma três a quatro maços de tabaco por dia. Como profissional de saúde, porém ciente da minha missão de espalhar a Boa Nova na terra, disse-lhe que isso era o caminho do mal que termina numa espécie de inferno terreno, com o nome de enfarte agudo do miocárdio. Disse-me ela que não bebe, não joga, não rouba e não fode há mais de dez anos e que, por isso, só lhe resta o poder fumar. Pensei eu, 'com uma fronha dessas não deves ter fodido é nunca'. E de imediato percebi, eu não estava perante um anjo, eu estava perante a Virgem Ana Maria. A Virgem Ana Maria continuou a sua mensagem divina e disse-me que começou só com uns cigarrinhos por semana, mas ao longo dos anos, sozinha, sem homem, sem outros vícios, acabou onde está agora, a fumar oitenta cigarros por dia. A abstinência de pilas levou-a ao excesso de tabaco. Lembrei-me das aulas de química do 10º ano e das reacções reversíveis. Amanhã vou deixar de fumar. Glória a vós, Senhor.

domingo, 7 de abril de 2013

Capacidade geneticamente exclusiva dos homens: estragar um momento bonito

Creio, ou pelo menos espero, que da leitura assídua dos meus textos toda a gente já conseguiu perceber que eu sou uma pessoa extremamente delicada e sensível. Os que assim não pensam serão certamente dotados de uma total inversão de princípios e valores. Como exemplo deste importante traço da minha personalidade, partilho com todos vós a história do dia em que um amigo meu me pediu para sair um pouco com ele à tarde porque precisava de desabafar. Andava com problemas no trabalho e a namorada tinha terminado a relação de longa data. Sendo eu boa pessoa, acedi ao seu pedido. Nessa altura, estava eu à espera dos resultados de umas análises ao sangue, sem saber se seria portadora do beri-beri do sexo. Pois que se estávamos numa de desabafar, e se as verdadeiras amizades são recíprocas, comecei eu por fazê-lo. Lamentei-me de ter sempre o cuidado de me proteger mas às vezes há azares e há coisas que se rasgam. Lamentei-me de não ter planos de vir a ser mãe, mas não poder ser mãe por ser portadora de um desses bicho feios já é outra coisa e, para ele perceber melhor, ainda lhe expliquei que isso é como decidir que não se come mais conguitos. Não comer conguitos porque não se quer é uma coisa, agora tirarem os conguitos do mercado e não se comer conguitos porque não se pode já é outra. Nisto, já era hora de ir para casa e só porque ele não teve tempo de desabafar sobre as coisas dele ficou chateado comigo, chamando-me de egoísta e insensível. Eu, que saí de casa por causa dele, abri o meu coração e fiz uma analogia poética sobre bebés, doenças venéreas e os snacks com amendoim que deram origem à melhor canção da publicidade, a par do 'um bongo' e do 'mokambo'. Eu é que sou insensível?! Não entendo. Mas pois que hoje foi a minha vez de precisar de desabafar e um outro amigo abdicou da sua tarde de domingo para me fazer companhia. Desabafei sobre o que me atormenta e já que ele não tem tormentos de momento, passámos o resto da tarde num banco de jardim a beber uma bodega de um refresco de café e a gozar com os maricas, as gordas com leggings às flores e as moldavas que passeavam carrinhos de bebé com bebés moldavos lá dentro. A meio ainda falámos sobre o meu problema em entrar em lojas chinesas porque não consigo deixar de pensar que estou a dar dinheiro a gente com pilas pequenas, permitindo que estes tenham condições económicas para se reproduzirem no nosso país e disseminarem o gene da genitália diminuta na nossa população. É, para além de sensível, também sou uma pessoa com preocupações sociais e ecológicas. Lembrei-me então que tenho saudades da pila dele, mas pensei noutra coisa para não ficar triste. Uma tarde, portanto, quase perfeita, pelo que decidi despir a minha carapaça de pessoa indiferente e agradeci, com um sorriso sincero, por aquelas duas horas de companhia. Como resposta, tive direito a um "opa, eu estava em casa sem nada para fazer". Pronto. Está certo. Também gosto muito de ti.

sábado, 6 de abril de 2013

Poema

Antes de mais, devo dizer que já bebi três copos de vinho. Não, não abri outra garrafa pelo segundo dia consecutivo. Na verdade, estou a beber o que restou da garrafa de ontem. E não, não estou com problemas com o álcool, continuamos a dar-nos muito bem, mesmo que seja, neste momento, numa relação tipo tântrica com a duração de dias até chegar ao fim da garrafa. Posto isto, o motivo para este mau poema não é a taxa de alcoolémia, é mesmo a falta de jeito. Ou de paciência. Ou o excesso de parvoíce.

Abro esta merda e pergunto:
Blog meu, blog meu,
Haverá mais alguém nesta terra
Ligado à net num sábado à noite para além de eu?

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Ensaio sobre a decadência

Decadente não é beber vinho tinto barato.

Decadente não é beber vinho tinto barato, sozinho em casa.

Decadente não é beber vinho tinto barato, sozinho em casa, no copo do leite.

Decadente não é beber vinho tinto barato, sozinho em casa, no copo do leite, sentado no chão.

Decadente não é beber vinho tinto barato, sozinho em casa, no copo do leite, sentado no chão, com uma papelada do trabalho ao lado.

Decadente não é beber vinho tinto barato, sozinho em casa, no copo do leite, sentado no chão, com uma papelada do trabalho ao lado, que está por ler há dois meses.


Decadente...
Decadente é chegar ao trabalho na segunda feira com a papelada que já se devia ter lido há dois meses toda cagada com nódoas porque se esteve a beber vinho tinto, mas do barato, no copo do leite, sozinho em casa e quase deitado no chão.


Situação em que um homem responder à pergunta 'Portei-me bem hoje?' com 'Essa boca fartou-se de trabalhar.' pode não ser propriamente um elogio:

À saída do ginásio.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Num futuro muito próximo

A preta hoje chegou mais tarde a casa. Não, não estava com saudades dela. Nem preocupada. Estava apenas sozinha em casa. Agora estou sozinha na sala. É como um círculo que se aperta. Já sinto coisas a mexer na barriga. Ela está a acabar o jantar. Virá para a sala, de prato na mão e vai comer calada. Pelo menos, assim espero. Já liguei a televisão para fazer barulho. E vou fingir que estou ocupadíssima a trabalhar em qualquer coisa importantíssima e nem vou olhar para ela. A dada altura ela vai olhar para mim irritada. Vou fingir que não reparo, porque estou concentradíssima a fingir que estou empenhadíssima num trabalho para amanhã. Ela vai perguntar o que foi aquilo. Vou perguntar 'o quê?' como se não tivesse ouvido à primeira. Eu vou tremer. Agora que isto começou, já não consigo parar. Ela vai repetir a pergunta. Vou dizer que é trovoada. Ela vai dizer que não está a chover. Vou dizer que eu também não disse que estava a chover. Espero que não pergunte o que jantei. Só consigo mentir uma vez por hora. Sopa de feijão e carne com feijão. 

Hoje fui às compras...


... pilas tamanho XL instantâneas... E o mundo seria um sítio melhor.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Essa coisa misteriosa que é o universo masculino

Tenho muitos amigos homens. O que dava para fazer aqui um ensaio sobre "A pila portuguesa - Uma análise multi-variada sobre tamanho, forma, cheiro, temperatura, tempo médio de acção, intervalo mínimo entre picos de actividade e amplitude de movimentos nos eixos x-y-z". Mas eu, pessoa sempre informada e actualizada no que respeita a descobertas cientificas e curiosidades sobre o mundo animal, descobri recentemente que, agarrado a cada pila, existe um conjunto multi-orgânico de matéria viva com capacidade de reacção a estímulos. Desde então, tenho feito pequenas experiências e algum trabalho de campo. Com o objectivo de garantir a imparcialidade na análise dos resultados, estabeleci como critério de inclusão 'indivíduos heterossexuais portadores de pila congénita' e como critério de exclusão 'pila já utilizada por mim'. O estudo está em curso desde o início do ano e já consegui a proeza de incluir dois espécimes. 
No primeiro caso, comecei uma conversa sobre um bolo que tinha feito. Ele não me perguntou sobre a proveniência das laranjas, se o açúcar era refinado, a categoria dos ovos, nem se me deu muito trabalho ou não, apenas perguntou se o bolo estava bom e se eu ainda tinha alguma fatia para ele provar. Mas depois, falei-lhe que na noite passada estava aborrecida em casa e pus-me a ver um filme porno. Os olhos dele abriram-se brilhantes, começou a perguntar-me sobre nomes de actrizes e realizadores, sobre as novidades na área, sites de referência, prémios internacionais para portuguesas, mas não me perguntou se no fim aquilo foi bom para mim ou não. Segundo outros estudos na área, estes resultados estão de acordo com o esperado. 
Já o segundo caso foi intrigante. Hoje fui trabalhar de vestido e com uns sapatinhos fofíssimos de borrachinha de uma marca bem conhecida do sexo feminino. Reparei que ele olhava para mim e iniciei a recolha de informação.


Estímulo
Observações
Reacção
Observações

1
O que foi? Nunca me viste de vestido?
Chamo a atenção do macho e espero reacção.
Gosto dos teus sapatos.
Macho pode não ser assim tão macho.

2
Ficam bem com o vestido, não é?
Bamboleio as mamas.
Descalça-te lá.
Macho pode, afinal, ter apenas um fetiche por pés e não gostar de mamas grandes.

3
Depois destas horas todas em pé, isto vai saber bem…
Começo a auto-massajar os pés, sugerindo que ele se ofereça para continuar.
Opa, parecem muito fixes. – agarra nos sapatos e testa a sua maleabilidade.
À medida que os vai torcendo com as mãos, aproxima-os lentamente da cara, provavelmente para os ver melhor.

4
Fixes e super-confortáveis, parece que se moldam ao pés.
Macho parece não ouvir. Tem os sapatos ao nível do nariz.
Não cheiram a cholé. Toma. Calça-te.
?

Dada a complexidade dos dados recolhidos, sugere-se uma colaboração futura com profissionais conceituados nas áreas da psiquiatria, química sexual e psicologia animal.