sexta-feira, 15 de março de 2013

DIÁRIO DA REPÚBLICA - I SÉRIE-A - Nº45 15-03-2013


Decreto-Lei nº 57/13

Como decorre do Decreto-Lei nº56/13, a protecção da saúde constitui um direito dos indivíduos e da comunidade, que se efectiva pela responsabilidade conjunta dos cidadãos, pelo que jantares fora devem ser evitados nas vésperas de dias úteis.

Artigo 1.º

Os cidadãos têm o dever de não aliciar Snail para jantar fora nos dias supracitados, bem como de não propor a ingestão de bebidas alcoólicas nem a passagem por bares após a refeição. A violação do disposto neste artigo é considerada crime e está previsto no Código Penal.

Artigo 2.º

Caso o artigo 1.º não seja respeitado, os colegas de trabalho da Snail têm o dever de:
a) não deixar Snail iniciar a actividade laboral; 
b) providenciar um jovem moreno, musculado e com barba que a leve a casa, ao colo, deixando-a na cama e em pijama; caso Snail adormeça pelo caminho, este deve fazê-lo sem a produção de qualquer som, fechar as janelas para evitar a entrada da luz, bem como deixar uma lanche composto por croissants do dia com queijo fresco de cabra e fruta da época junto à sua cama; caso Snail se mantenha acordada até casa, este deve fazer tudo o que Snail lhe pedir;
c) nomear alguém responsável para picar o ponto de Snail na sua hora de saída habitual.
A violação do disposto neste artigo é considerada crime e está previsto no Código Penal.

Artigo 3.º

Caso os artigos 1.º e 2.º não sejam respeitados, Snail deve ser poupada de tarefas de elevado esforço intelectual, tais como mexer duas mãos em simultâneo, andar, falar e fazer contas de somar, o almoço deve ser-lhe dado à boca e deve ser constituída uma equipa de urgência para lhe massajar as costas. Tarefas de chefia ou formação, como supervisionar engenheiros e informáticos ou ensinar estagiários, devem ser adiadas para o dia útil seguinte. A violação do disposto neste artigo é considerada crime e está previsto no Código Penal.

Artigo 4.º

Caso os artigos 1.º, 2.º e 3.º não sejam respeitados, após as 16 horas, os cidadãos não devem tentar entrar em contacto telefónico com Snail, de forma a não lhe interromperem a sesta, a menos que se trate de assuntos importantes e inadiáveis.
a) estão excluídos do âmbito dos assuntos importantes e inadiáveis: 'Como correu o dia com as alunas?', 'Como correu a instalação do sistema com o engenheiro e o informático?', 'Confirmação do número de marcações para o turno de sábado', 'Estás boa?', 'Promoções da Perfumes & Companhia'.
A violação do disposto neste artigo é considerada crime e está previsto no Código Penal.

terça-feira, 12 de março de 2013

Snail, a promotora de eventos

Começa, dia 14, mais uma edição do Restaurant Week. Estava aqui a ver os menus propostos... vê menu aqui... vê menu ali...Comecei por ficar intrigada com expressões como 'morcela vintage' e 'mostarda antiga'. Não sei ao que se referem mas, apesar de ser como os putos e enfiar na boca quase tudo o apanho à mão, tenho um estômago assim a dar para o sensível e começo logo a pensar em datas de validade. Arrepio e náusea postos de parte, continuei a pesquisa. Este ano, e como é hábito, queria ir a dois ou três que ainda não conheça... pesquisa... pesquisa... pesquisa... Oi oi oi oi oi! Pára tudo! Há um restaurante que me deixa comer um Pedro? Inteiro? Só para mim? Por apenas por 20€? E logo à entrada??? Quero.


Vá, que eu sou boa pessoa: http://portugalrestaurantweek.besttables.com/lpg

segunda-feira, 11 de março de 2013

Um talento que se perdeu na política, na advocacia, na investigação criminal e, quiçá, numa igreja qualquer

É uma ousadia, senhores! Um ultraje! É tentar denegrir a imagem de alguém que tanto tem dado à blogosfera actual! É tentar arrastar um dos maiores génios vivos da literatura ligeira do nosso país, nas lamas da mediocridade! Estamos, meus amigos, perante uma das maiores injustiças sobre a blogo-mulher. Hoje, é apenas uma. Amanhã, serão mais. É preciso agir! É preciso vir à rua e apontar o dedo àqueles que abusam da sua condição de machos. Machos sem vergonha! Esses, os machos sem vergonha, trajados de falas mansas, infiltram-se, corroem e enganam. E é através desse engodo de blogo-admiração e liberdade de expressão, que as obrigam a expor, a mostrar, a despirem-se da sua dignidade. Mas, caros leitores, até a mulher mais galdéria, tem direito à sua privacidade! Até a mulher mais bardajona, tem direito a mostrar apenas aquilo que quer! Até a mulher mais lambisgóia, tem direito a lutar pela sua dignidade. E não! Não! Não, meus caros, não venho falar de mamas! Venho falar da verdade! Venho falar dos falsos testemunhos! Venho falar de repor aquilo que está certo! Eu ia tirar fotografias! Eu ia fotografar mamas! Não por ter sido coagida, mas porque eu entendi que queria fazê-lo! Por um bem maior! Pelo vosso bem estar! Mas, infelizmente, o infortúnio cruzou o meu caminho e a minha missão não chegou a bom porto. E as vozes do mal de imediato se fizeram ouvir, com acusações injustas e infundadas, tendo como alvo a mais pura e inocente das criaturas. Com o intuito único de destruir a reputação de uma guerreira. Mas os guerreiros não desistem... Não, meus amigos. Nunca!!! É importante que esta batalha seja a luta de todos nós. Acima de tudo, de todas nós! E, por isso, trago-vos provas! Provas!!! 



E ainda mais vos digo, amigos leitores! À hora do milagre, ainda esta se fazia ouvir no ar!!!



Eu sou a maior prova! Eu sou o milagre! Eu sou A máquina fotográfica que regressou viva da sanita! 

domingo, 10 de março de 2013

Desafio

Eu, apesar de não parecer, levo algumas coisas a sério. Poucas. Mas levo-as a sério. Uma delas são mamas, não de mamas em geral, mas tudo o que envolva as minhas. Outra coisa são desafios. E ontem desafiaram-me. Várias vezes. Para várias coisas. Alguns mais aliciantes que outros. Todos declinados. À excepção de um. Um desafio que envolvia mamas. As MINHAS mamas! Uma foto das minhas mamas, exigem eles! Aí, pára tudo! Isto já é uma questão de honra! Nem dormi a pensar nisso. Almocei a pensar nisso. Limpei a casa a pensar nisso. E, quando limpava a casa de banho, olhei para o varão do chuveiro e fez-se luz. Uma fotonovela das minhas mamas! Genial! No banho, água a correr, pendurada no chuveiro e mamas! Acendi uma velas, armada em génio da fotografia, para dar um ambiente estilo porno-hits-1988. Levei o rádio que tenho na cozinha, liguei-o à corrente, deixei-o em modo equilibrista em cima do bidé e sintonizei uma dessas rádios de êxitos românticos, onde, por sorte, passava Michael Bolton. Perfeito. Roupa fora, máquina fotográfica em punho e lá ia eu. Devo aqui ser honesta, a minha intenção era enganar-vos e tirar uma fotografia ao meu soutien no chão, mas como estava aborrecida e não tinha nada para fazer, montei este cenário todo. Castigo ou não, e voltando onde estávamos, lá ia eu em pelota a caminho do chuveiro, tropeço no fio do rádio, lanço a máquina ao ar para amparar a queda e não mergulhar de cabeça contra a parede da casa de banho e... plock! 

Máquina fotográfica morreu hoje, afogada, dentro de uma sanita.
Por sorte, era velha e já tinha o ecrã rachado. 

Paz à sua alma. 

Respect

A garrafa de Bombay morreu.

Paz à sua alma.

Dizem que há dois fígados que não vão durar muito mais tempo. Mas isso são más línguas a falar.

sábado, 9 de março de 2013

Psicologia

Eu era uma miúda mais dada à biologia e matemáticas, mas lembro-me de ter, algures no secundário (ainda se chama assim?), um ou dois anos de psicologia. E lembro-me, vagamente, de se falar da personalidade e da influência dos primeiros anos de vida na construção daquilo que somos, da influência do meio, de cães e baba. Se não era bem assim, então tenho uma memória de merda. O que é certo, é que há coisas na minha vida que só podem ser explicadas pela infância que tive. Como eu não gostar muito de chocolate, por exemplo. Havia, nos anos 80, a mania de encher a árvore de Natal com pinhas de chocolate, ou melhor, uns chocolates em em forma de pinha, embrulhados em papel de alumínio muito brilhante e colorido. Dizem que na casa dos outros essas pinhas eram comidas e todos os anos se comprava mais. Mas a minha mãe não deixava. Achava as pinhas lindas e achava um crime estragá-las. Guardava-as religiosamente para serem usadas, sempre as mesmas, ano após ano. O resultado: passei os Natais da minha infância a babar-me a olhar para pinhas de chocolate estragado, até que, num desses Natais, revoltei-me, comi uma dessas pinhas às escondidas e tive uma gastroenterite. Também não consigo ter nêsperas perto de mim. A minha avó só tinha laranjeiras. Os putos do bairro social ao lado do quintal dela, vinham roubar laranjas à minha avó, porque eram as melhores daqueles quintais. Mas o meu vizinho tinha uma nespereira. E roubar laranjas parecia fácil, pelo que eu via. Decidi roubar nêsperas. Mas as nêsperas são mais pequenas que laranjas, dava muito trabalho roubar uma quantidade satisfatória, então arranquei um ramo da nespereira, vim a arrastá-lo até ao meu quintal e comi-as todas o mais rápido que pude, com medo de ser apanhada. Ainda hoje, se tenho nêsperas, devoro-as como se viesse o meu vizinho velho e ex-presidiário, de caçadeira em punho atrás de mim. E ainda hoje admiro as pessoas dos bairros sociais. Por isso, não consigo estar muito tempo longe do Cais do Sodré, mesmo que hoje esteja repleto de betos com a mania que são irreverentes. Não consigo é encontrar explicação para beber com a mesma compulsão com que como nêsperas, mas acho que consegui encontrar o porquê de existirem fotos com esta na minha máquina fotográfica, quando chego a casa depois de uma noite de copos. Um bom fim de semana a todos.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Alegra-te, irmã! O gin chegou!

Sim, o gin chegou. Antes disso ficou para trás uma semana cheia de trabalho e uma avó no hospital. Avó essa, que podia ter-se queixado de ter passado uma noite sofrida num serviço de urgências, sem poder dormir, com frio e fome, com o tempo de espera e tal, a antipatia e negligência dos profissionais de saúde... mas não. Queixou-se antes de a terem levado para uma sala que dizia reanimação quando ela estava acordada, o que é errado porque podiam haver pessoas a morrer e a precisar de serem realmente reanimadas e ela estava ali a ocupar o lugar deles, queixou-se das outras velhas que gemem como se alguém as estivesse a matar quando andavam todos atarefados para as ajudar e queixou-se do medicamento que lhe deram para baixar a pressão arterial, que a deixou a noite toda a mijar (termo usado pela própria) e não a deixou dormir. Quanto a este último ponto, argumentei que esse medicamente é um diurético e tentei explicar o mecanismo pelo qual os líquidos são excretados do corpo e como isso faz baixar a pressão. Fui interrompida: 'pode ser o que tu quiseres, mas tanta mijadela não deixa ninguém dormir'. Não pude argumentar mais, até porque já levo 50 horas de trabalho esta semana e depois porque quando ela diz que é assim, é assim e fim de conversa. Contava isto à preta e, entretanto, chegou o gin. Entre risadas, a preta contava que a minha caixa de levar comprimidos que encontrou no armário era perfeita para levar açúcar para o trabalho.  E é assim, do nada, da descompressão, do gin, que nasce o diálogo da noite:

- Eu não tenho nenhuma caixa de levar comprimidos.
- Uma da vaca que ri. Só pode ser tua.
- Se é da vaca que ri, é do queijo.
- Se é da vaca, é tua! Ahahahah.
- Se é da que ri, então é tua.

E pronto. Hoje é só isto. Uma boa noite a todos.

terça-feira, 5 de março de 2013

Snail, a destruir a sua reputação... bla bla bla bla

Nisto, não devo ser a única: sou uma pessoa responsável no trabalho. O computador do trabalho serve para trabalhar. Apenas para trabalhar. E para fazer pesquisas de assuntos importantíssimos relacionados com o trabalho. E para ver o mail do trabalho. E responder a mails de trabalho. E enviar mails relativos a assuntos de trabalho. E para ver as notícias do dia, porque fica sempre bem saber falar sobre política, economia e essas coisas importantes em almoços de trabalho. Como tal, o computador do trabalho tem sempre uma outra janela aberta com o mail profissional, o diário económico, o diário de notícias e, às vezes, até o diário da república. Todas estas janelas abertas têm dois propósitos, que são manter um ar profissional e intelectual, mas também servir de camuflagem para coisas realmente importantes na vida de uma mulher, isto é, ocultar as janelas que realmente fazem falta: compras online. Adrenalina no feminino! E é aqui que se vê a essência, a alma, o perfil de uma mulher. Quando esta é apanhada desprevenida a pecar em horário laboral. Há a que passa a vida a ver sapatos. Há a que passa a vida a ver vestidos. Há a dos relógios. Há a dos perfumes. Até há a dos telemóveis. Eu era a que não prevaricava. Ou melhor, eu era a que nunca tinha sido apanhada. Até hoje... Chefe entra de repente. Vem acompanhada com dois desconhecidos. Entram gabinete dentro de rompante, sem aviso, com assunto inadiável e de máxima importância. Eu assusto-me, distraio-me, olho para o lado, dedos não mexem, janela do computador fica aberta, assunto é discutido, pessoas dirigem-se para a porta, um deles lança olhar de reprovação para o monitor do computador, suor, amnésia do que estava a fazer antes da entrada relâmpago desta gente, eles saem, eu volto a olhar para o computador...

Continente online - Secção de bebibas - Bebidas espirituosas - GIN - SETINHA DO RATO EM CIMA DO GIN MAIS BARATO!!!

Se ainda tinha um pouco de respeito por parte desta gente... já não tenho mais.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Contributo

Queria, do fundo do coração, deixar aqui algo produtivo para a comunidade. Algo que contribuísse para o desenvolvimento de todos vós enquanto pessoas. Algo profundo e cheio de sabedoria. Poesia. Algo que a minha mãe se orgulhasse caso soubesse da existência disto. Como faço sempre que aqui venho, aliás. Como sabem, a minha vida profissional passa por ter pessoas despidas da cintura para cima, deitadas, em silêncio. Todos os dias. Mas hoje... hoje... o pânico apoderou-se de mim. Estariam as lâminas de barbear esgotadas em Lisboa? Teria o sabonete sido abolido dos hábitos matinais dos portugueses? Napoleão voltou à vida, isto foi ocupado pelos franceses e agora somos obrigados a deixar crescer farfalhices mal-cheirosas nos sovacos e só eu é que não sabia disso? É nisto que dá passar um fim de semana bêbeda e não ver as notícias? Vou ser presa por ter tomado banho e ter a depilação em dia? O último gajo que entrou no gabinete e passou o tempo todo a deitar bufas fedorentas na minha cara é agente da autoriadade e isto é uma nova forma de tortura? Ou uma nova religião? Devia ter-me peidado também? Estou confusa, senhores. Confusa. E nauseada, ainda.

domingo, 3 de março de 2013

Porque isto podia ser um fashion-blog #2

Vou fazer uma crítica de moda. Mas não sem antes contar uma história.

Estávamos no longínquo ano de 2006 e duas irmãs na casa dos 20 anos viviam com os pais, numa terrinha da margem sul. Partilhavam o quarto, pequeno em área. A mais velha dormia na cama de cima do beliche e a mais nova na cama de baixo. Esse quarto tinha ainda uma pequena estante, um armário de gavetas e um guarda-vestidos. Estamos no presente ano de 2013, a irmã mais velha vive em Lisboa, partilhando casa com a preta e a mais nova vive ainda na terrinha com o namorado e o filho de ano e meio. A mãe, essa, na falta de uma divisão para arrumação de trambolhos, decide que a cama de cima do beliche é um local óptimo para arrumar cobertores, colchas, chapéus de sol, bolas e toalhas de praia e caixas com colheres de pau. A mãe decide ainda que o pouco chão livre do quarto é óptimo para arrumar cestos com roupa por engomar, ventoinhas, mais bolas de praia e um aspirador. A irmã mais velha, quando lá vai de visita, brinca aos 100 metros estafetas para poder chegar à cama de baixo para dormir. A irmã mais velha esteve lá este sábado. Tinha o jantar de aniversário de uma amiga. Amiga essa, que também é amiga da irmã mais nova. Irmã essa, que, querendo beber como se de um homem solteiro se tratasse, decide deixar o filho com a avó. Avó e neto decidem dormir na cama de baixo do beliche, local onde a irmã mais velha costuma dormir. Irmã mais velha essa, que chega a casa bêbeda de madrugada e é escorraçada para o sofá. Sofá esse, que é cobiçado pelo pai, que gosta de ver documentários sobre gorilas e bananas aos domingos de manhã e espera que avó e neto acordem para depois escorraçar a pobre rapariga de volta para a sua cama.

Agora que já choram todos compulsivamente com pena da pobre moça, imaginem que ela tem um segundo aniversário, a ser celebrado exactamente nesse domingo, ao almoço, de ressaca e completamente destroçada pela forma como é tratada em casa dos próprios pais. Ainda assim, arranja o cabelo, veste-se em conformidade com o evento e acaba a almoçar com uma pessoa ao seu lado, com um cabelo mais ou menos desta cor, vestida mais ou menos como isto e calçada exactamente com isto e exactamente desta cor:


Pessoa essa, que olha para a pobre moça, vestida exactamente com este vestido, com o cabelo exactamente desta cor e forma e calçada com algo semelhante a isto...


... e diz, com ar de cumplicidade, como se se tratasse da sua irmã gémea, dela separada desde o nascimento e abandonada no bordel mais brega do distrito: "Não há nada como um vestido justo, não é?". 

Eu passei a noite no sofá e andei a ser chutada para os cantos na casa onde cresci. O meu antigo quarto é agora uma arrecadação. E depois ainda tenho uma wannabe slut a traçar paralelos com as nossas formas de vestir? Não está certo. Estou triste. Preciso de mimos.