quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Lei natural das coisas

Apesar de ser uma das mulheres mais atípicas do planeta, daquelas que toma banho antes de ir para o ginásio mas sai do ginásio sem tomar banho, daquelas que prefere comer uma pratada de túbaros ou patas de galinha em vez de marisco (é preciso explicar que os percebes me fazem lembrar mini-pilas cadáveres e isso mete-me nojo?), daquelas prefere jantar uma sandes de sardinha em lata com manteiga e cebola a uma feijoada de choco, há coisas em mim que acontecem em cadeia e de uma forma tão natural, apesar de insólita, que chega a ser bonita. Coisas estranhas, é certo, mas capazes de fazer chorar de emoção qualquer poeta ou cantautor da nova geração. Como acontece quando alguém se apresenta com o nome próprio e o apelido, sendo este último Carvalho, Ramalho ou Fialho. Na minha cabeça surge logo uma rima, como 'João Carvalho, feio como o caralho' ou 'Pedro Fialho, mostra-me o caralho'. Nunca surgiu uma rima com orvalho ou pirralho, mas certamente haverá uma explicação científica para o facto. Outra situação que desencadeia uma reacção orgânica em mim, sucede quando tenho uma comichão num sítio não susceptível de ser coçado em público, como as zonas mais internas do entre-pernas. A reacção espontânea começa com o cantarolar de uma qualquer música parola, seguida de uma súbita vontade de dançar com movimentos caóticos de pernas. Curiosamente, e lanço aqui uma ideia de génio para um futuro estudo experimental na área, esta reacção só se dá quando estou acompanhada, caso contrário coço-me. Uma outra reacção irracional e reflexa do meu corpo é cagar todo o conteúdo do meu sistema digestivo, em estado líquido-pastoso, no dia seguinte a comer metade de um bolo com cobertura de chocolate ainda quente. O meu corpo é assim, tem um gozo especial em pôr-me a cagar quando estou a trabalhar.  Quando estou a trabalhar, ou quando estou num sítio sem WC disponível, ou quando estou a meio de algum processo que impossibilita de todo o manuseamento de material com as mãos e/ou uma paragem para defecar. Curiosamente, trabalhei o dia todo e nada. Curiosamente fui ao super-mercado e nada. Curiosamente vim para casa a pé e carregada de sacos e nada. Curiosamente, comi mais bolo e nada. Curiosamente, pintei o cabelo, com a respectiva meia hora de espera, e nada. Mas acabei de pintar as unhas e.... Foda-se!!!

O Guiness devia ter os olhos postos em mim. 
Há 43 minutos a aguentar a caganeira para não estragar as unhas. 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Dois pulsos e uma faca do pão

Tudo começa com chamadas insistentes por parte do toy boy marinheiro. Snail não gosta que lhe liguem de forma insistente, mesmo que seja para pinar. Snail não atende as chamadas e passa a receber mensagens a perguntar porque não atende. Snail começa a ter medo de ter arranjado um psicopata. Snail, vencida pelo cansaço, decide acabar com a situação através de um chat. Snail podia ter tido um pouco de consideração pelo moço, ter saído de casa e ter tido a conversa pessoalmente? Podia, mas Snail já estava de pijama e é uma preguiçosa. Moço fala de forma respeitosa, diz que entende a angustia de Snail, que tem pena que as coisas fiquem por aqui e despedem-se cordialmente. Ainda assim, Snail fica desconcertada. Deita-se a pensar que vai estar sem actividade sexual por tempo indeterminado. Snail acorda desconcertada. Snail trabalha desconcertada. Snail chega a casa desconcertada e decide fazer um bolo para esquecer a ausência de pilas. Snail come metade do bolo ainda quente, não consegue esquecer a ausência de pilas e, ao mesmo tempo, começa a pensar em diarreias fulminantes e no homem da vida dela que não gosta dela (personagem ainda não mencionada nestas escrituras). Snail, na ausência de sintomas intestinais, começa a perceber que a monumental caganeira deve chegar apenas entre as 9h e as 17h de amanhã. Preta avisa que não vai dormir em casa. Snail fica desorientada. Preta fica preocupada. Estaria Snail com medo de dormir sozinha em casa? Não. Snail está apenas fodida, infelizmente apenas em sentido figurado, porque podia não ter mandado o outro aos porcos ontem, o que fazia com ela não tivesse o impulso de fazer um bolo com chocolate hoje que lhe vai dar uma caganeira amanhã e podia estar a pinar agora e só mandar o outro à merda amanhã e nisto come mais umas fatias de bolo, enraivecida por continuar a pensar em quem não deve. Deus não ama Snail.

Snail, a destruir a sua reputação por conta própria desde 1978 (parte 392773450875635527349056738362)

Falava-se sobre batons ao almoço. Estavam mais 6 pessoas à mesa. D. diz que comprou um gloss novo com purpurinas (piroso que só visto). C. pede para ver. D. passa-lhe o baton para as mãos. C. tira a tampa entusiasmada e cheira o seu conteúdo. Snail decide opinar.

- "Tão gira. Também cheiras as coisas antes de pôr na boca."

Seis cabeças viram-se na direcção de Snail com a expressão 'not again'. Uma pessoa ainda intervém com "Agora estamos a comer..."

- "Oh. Eu estava a falar de cheirar batons e comida, não do que vocês estão a pensar."

Silêncio.

- "Se bem que também cheiro essas coisas que vocês estavam a pensar, que eu gosto delas lavadinhas."

Silêncio.

- "Não é que eu me meta com homens porcos, mas é sempre bom confirmar, né?"

Silêncio.

- "Não é que eu me meta com muitos homens. Falei no plural porque estou a generalizar, né?"

Silêncio.

- "Não é que..."

- "A gente já percebeu!"



Vou fazer um bolo. Acho que daqui a 4 horas vou estar cheia de fome.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Quando o espírito empreendedor, a persistência e o lema 'tentarei até ao fim das minhas forças' não são qualidades a louvar

Quantos telefonemas têm que ficar por atender e quantas mensagens têm que ficar por responder até o remetente se aperceber que o destinatário não que falar com ele?

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Melhor amiga

Este post é especialmente dedicado aos homens. Certamente, todos já passaram pelo aborrecimento que é aturar uma crise de ciúmes da namorada por causa da existência de uma grande amiga. Digo namorada, mas isto também se aplica a todos os níveis de relacionamento onde haja envolvimento sexual. Ridículo, dizem todos vocês, essa implicância com a outra mulher, só porque a amiga é mulher e o namorado não pode ter amigas mulheres. Não, não é ridículo. Porque há namorados que me têm a mim como amiga. Podia agora apontar vários aspectos físicos da minha pessoa, como o meu busto cheio de personalidade ou o meu cabelo volumoso, ou ao contrário se preferirem, como factores de inveja ou insegurança nas coitadinhas das moças, mas hoje vou focar-me em aspectos da minha personalidade. De facto, deve ser complicado dividir atenções com uma pessoa com uma veia de entertainer como a minha. Uma pessoa que tem sempre histórias para contar, como a da vez em que o meu pai foi à feira comprar plantas novas para a horta e ligou-me todo satisfeito a dizer que este ano íamos ter 'gurmétes' e 'bordalezas', telefonema esse, seguido de outro da minha mãe, a fazer a necessária tradução para 'courgettes' e 'framboesas'. Outra coisa que as namoradas normalmente não gostam, é que as tais 'grandes amigas' dos namorados não saibam da sua existência e falem do flirt do gajo na última saída à noite, à gargalhada, enquanto perguntam ao menino quantos pacotes de matutano comeu para ganhar um pega-monstro daquele tamanho, porque uma bebedeira não justifica alguém andar de volta de uma gaja tão feia e gorda. Ainda outra coisa que as namoradas normalmente não gostam, é que as tais 'grandes amigas' dos namorados não se lembrem da cara delas quando já foram apresentadas mais de três vezes e ainda se riam disso, tudo isto dentro do carro dela. Outra coisa ainda que as namoradas normalmente não gostam, é que as tais 'grandes amigas' dos namorados não se lembrem da nome delas e ainda tentem adivinhar dizendo o nome de uma ex-namorada dele. Os meus amigos propuseram que na próxima saída eu vá de mordaça e só beba sumo. É capaz de ser uma solução. Achei por bem partilhar. Caso tenham uma amiga como eu.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Juro que não vou falar mais no motorista gordo (sim, fiquei traumatizada), mas não posso deixar de manifestar o medo que tenho de isto ter sido muito parecido com a realidade


"Amanhã vais buscar a Snail a Lisboa."



Dúvidas existenciais

As pessoas gostam de dizer coisas parvas. É um facto. As pessoas gostam de se humilhar. É outro facto. As pessoas gostam de dizer coisas absurdas só para fazer conversa. Mais outro facto. Mas se há coisa que me irrita, é quando as pessoas fazem perguntas parvas em forma de afirmação com a mania que têm graça. Coisa que deve ser uma figura de estilo qualquer, mas línguas nunca foi o meu forte. Tirando fazer coisas com a língua. Disso já percebo. E gosto. Ah, e língua de vaca estufada. Disso também gosto. É pena é não saber como se faz. Mas, voltando aqui às minhas dúvidas, intriga-me o porquê de me dizerem frases, como a desta tarde: 'Está a chover tanto!'. Irritou-me. Principalmente, porque estava a andar na rua. Com essa pessoa ao lado. Lógico que não me contive e disse: 'Sério? E eu a pensar que era Deus a vir-se para cima de mim...'. Ou então como esta, também desta tarde: 'Olha ali um anão para ti!'. Irritou-me. Principalmente, porque eu estava a olhar para o lado contrário e podia não ter tido um ataque de pânico até quase mijar-me pelas penas abaixo. Lógico que saiu-me 'Olha aqui um caralho para ti!' com o meu dedo médio esticado no ar até quase lhe furar um olho. Mas pronto, calculo que estas pessoas, que convivem comigo todos os dias, fazem estas coisas apenas pelo prazer de me ver enfurecer e largar caralhadas ao ar. Agora, o que me intriga mesmo, é quando estas constatações em tom de vamos-começar-aqui-uma-conversa, com uma observação desnecessária, ridícula e auto-humilhante, vêm de uma pessoa que me conhece apenas superficialmente. Como a mensagem do motorista gordo, pessoa que não me via nem trocava palavras comigo há mais de um ano, que recebi hoje de manhã. "Olá! O nosso amigo G. diz que tu não gostas de gordos.". Apeteceu-me responder: "Até gosto. Quando estão a dormir. Calados. Sem se deixarem ver. Em baixo da terra.". Mas apenas respondi: "Cuidado, não se pode dizer nada ao G. Ele conta tudo. Bjs". Parece-me que o gordo não sabe lidar com constatações parvas. Ainda não me respondeu. Que pena.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Acerca do ponto 'alto' do dia de hoje...

... duas coisas.

Uma:
- Ah, és tu que me vens buscar?
- Sou.
- Quando ouvi a conversa ontem pensava que era alguém que não me conhecia...
- Eram eles a gozar. A ver se eu adivinhava quem era. Eheh!
- Ah...
- Foi fácil. Eheh!
- Pois...
- Olha que te constipas. Eheh!
- Engraçadinho.

Duas:
Já era gordo o ano passado. Agora está mais.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Diva for real!

Mas como é que uma labrega do campo chega a Diva?!
Pretensiosa do caralho!
Autista drogada!

Estes podem muito bem ser os comentários dos invejosos que, infelizmente, também fazem parte da vida de uma verdadeira Diva. Mas, meus queridos (sim, queridos, porque uma verdadeira Diva só conhece o amor pelo outro), os factos falam por si:

1) Eu tenho uma legião de fãs. 
2) Eu sou linda e tenho um par de mamas fabuloso.
3) Eu tenho uma vida amorosa atribulada versus inconsistente versus não-satisfatória. 
      3.a) As Divas nunca têm amores para a vida.
      3.b) Isso só acontece às pirosas das princesas da Disney.
4) Eu tenho personal-shopper-advisors que vão comprar roupa por mim.
      4.b) Importados (os personal-shopper-advisors) de países tropicais.
5) Eu faço as compras de super-mercado online que são entregues por um estafeta a quem dou um copo de água e 1 euro de gorjeta, se for um gajo giro.
      5.a) As Divas têm crises de ansiedade junto às bancas de legumes frescos, principalmente dos pepinos. 
      5.b) As Divas são pessoas caridosas.
      5.c) As Divas nunca perdem a oportunidade de ter um flirt com um elemento giro da plebe.
6) Eu desloco-me ora a pé ora de carro, desde que conduzida por um motorista.
      6.a) As Divas andam na rua para poderem dar trabalho aos paparazzi.
      6.b) As Divas são pessoas caridosas.
      6.c) Os paparazzi às vezes são giros.
      6.d) As Divas nunca perdem a oportunidade de ter um flirt com um elemento giro da plebe. 

Motorista. Sim. Motorista. Amanhã desloco-me para o meu segundo trabalho, num carro conduzido por um motorista da empresa. Pessoa que eu desconheço, que também não me conhece, mas que me vai esperar à porta do serviço. O motivo para este episódio é de pouca ou nenhuma importância (precisam de mim porque não está mais ninguém disponível, a uma hora impossível de cumprir para quem anda de transportes públicos) mas o que importa é que eu, amanhã... e sai agora um poema:

Vou trabalhar conduzida por um homem
Motorista
Que não é um amigo a dar-me boleia
Nem taxista. 

(bonito, este momento)

O que eu ouvi quando me descreviam ao motorista foi "baixinha, cabelo preto muito comprido e encaracolado e... assim pró avantajada no decote, vá...". Amanhã não posso ir de gola alta nem cabelo preso. Primeiro, porque tenho de ser identificada por uma pessoa que só sabe isto a meu respeito ou corro o risco de ficar em terra. E depois, porque o motorista pode ser um gajo giro. E há todo um código ético e deontológico das Divas que deve ser respeitado.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Diziam eles...

- Isto tem de ser pintado, pá!
- Como? Rolo ou pincel?
- Eu por mim, era mesmo à pistolada.

Podia ficar 4 horas perdida em pensamentos.
Tenho sono.
Vou ter sonhos esquisitos, hoje.